25 junho 2016

A tradição dos Bacamarteiros de Caruaru

Bacamarteiros representados em barro. Foto: +Karla Vidal 

24 de junho é dia de São João, o principal feriado das festas juninas. O que talvez você não saiba é que nessa mesma data é comemorado o Dia do Bacamarteiro. Em Caruaru tanto o santo como os atiradores têm espaço garantido na festa junina considerada uma das maiores do mundo.

O bacamarte é uma arma de fogo que foi utilizada na Guerra do Paraguai. Esses tipos de "espingarda" foram modificadas ao longo dos anos para serem incorporadas às festas juninas como uma forma de homenagem aos santos padroeiros. Os bacamarteiros atiram contra o chão uma carga de pólvora seca que faz um barulho parecido com fogos de artifício daqueles bem fortes. Há registros de bacamarteiros que usam até hoje os mesmos bacamartes que foram utilizados na guerra também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança.

Bacamartes. Foto: +Karla Vidal 

Além do tiro os grupos realizam desfiles e pequenas coreografias geralmente animadas por um bom forró tocado por eles mesmos. Além dos atiradores em cada grupo sempre há tocadores, porta-estandartes e porta-bandeiras.

Em Caruaru os grupos de bacamarteiros se reúnem em algum bairro próximo ao centro, em 2016 foi no bairro do Cedro, e seguem marchando até a estação ferroviária, um dos polos de animação dos festejos juninos. Esses grupos são chamados de batalhões e compostos por integrantes de cidades vizinhas, distritos e regiões da zona rural de Caruaru. A identificação de cada batalhão é estampada no típico lenço vermelho que cada integrante carrega em volta do pescoço. A indumentária caraterística é composta pelo uniforme militar na cor azul feito com o tecido zuarte, pelo lenço vermelho no pescoço, sandálias de couro e chapéu de palha, esse último sempre com uma flor na lateral. Não sei ao certo o significado, mas já li algo sobre a flor ter sido utilizada na guerra como identificação do baltalhão, quando faltava o lenço.

Por herança da tradição militar, nos grupos há sargentos e comandantes que se diferenciam dos demais por detalhes na roupa como chapéus de couro, quepes, estrelas e medalhas. O legal é que, mesmo sendo originário de um ambiente tradicionalmente masculino, os batalhões sempre possuem integrantes mulheres. Eu não sei dizer se a participação de mulheres acontece desde o início das apresentações dos grupos, o que data da década de 1890, mas só o fato de haver mulheres desde a minha infância já é algo que considero sensacional.

Bacamarteira do batalhão da cidade de Altinho. Foto: +Karla Vidal 

Os grupos não parecem seguir muitas regras durante a apresentação além da organização em filas. São essas filas que orientam tanto os tiros como coreografias que são sempre muito simples. Os bacamarteiros marcham em uma espécie de xaxado arrastando as sandálias no chão. Há sempre um sanfoneiro, um zabumbeiro e um triangleiro que puxam o forró durante as apresentações. Não são músicos profissionais e sim humildes tocadores. Isso deixa a apresentação ainda mais peculiar e, na minha opinião, muito mais emocionante. O grupo sempre interage com o público através de saudações: erguer o bacamarte horizontalmente com as duas mãos e acenar com os chapéus são duas saudações muito utilizadas.

Em 2016 dados da Prefeituar de Caruaru informam que 32 batalhões desfilaram no dia 24 de junho pelas ruas da cidade. Aproximadamente mil bacamarteiros e bacamarteiras mantiveram a tradição de mais de 120 anos quase da mesma forma como começou. A principal diferença é que hoje em dia eles estão conectados fazendo selfie e se comunicando com o mundo o tempo todo. Muito justo!

Bacamarteiros reunidos na polo das quadrilhas em Caruaru. Foto: +Augusto Noronha.

É bonito de ver! Eu agradeço a oportunidade de viver essa experiência a cada ano, inclusive a possibilidade de trocar um dedinho de prosa com os bacamarteiros mais velhos que são excelentes contadores de causos.

A seguir algumas imagens do Desfile de Bacamarteiros de Caruaru.


Foto: +Augusto Noronha 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 

Foto: +Karla Vidal 




05 junho 2016

Quadrinize sua experiência: três ferramentas para produzir história em quadrinhos


Eu faço parte daquela geração que deixava de lanchar na escola para investir o dinheiro do lanche nos gibis da Turma da Mônica. Também li muitos outros quadrinhos, de Drácula a X-Men. Sim! Sou eclética. Esses últimos eu lia por indicação dos meus irmãos mais velhos que até hoje consomem HQs. Mas, foram os quadrinhos da Turma da Mônica que fizeram com que eu pudesse ter contato pela primeira vez com inúmeras questões da vida.

O universo dos quadrinhos é gigante e poderoso. Através deles podemos abrir espaço para múltiplas abordagens que nos levam a aprender através da leitura e da imersão. Ok! Falando assim parece ser a mesma coisa dos livros da escola, mas não é. A diferença das HQs está na linguagem que é milhões de vezes mais divertida. E não se trata apenas do fato de haver imagens. Toda a estrutura das histórias em quadrinhos é envolvente porque a narrativa é acessível, na maioria das vezes curta e simples. Muito diferente dos livros escolares que são longos e possuem uma linguagem mais "dura". Mesmo que se tente trabalhar uma linguagem mais descolada, ela às vezes nos soa como fake ou forçada nos livros didáticos.

Na minha opinião a magia dos quadrinhos é justamente fazer o escritor sair do seu lugar. Nos quadrinhos ele pode ser quantos personagens quiser, em diferentes lugares, com diferentes linguagens e formas de pensar. E isso amplia a capacidade de criar. Não é à toa que em diversos processos de planejamento de estratégias a história em quadrinhos está lá presente para facilitar as coisas. Storyboards, que nada mais são do que HQs em estilo rascunho, estão presentes no planejamento de jogos, filmes, teatro, eventos e mesmo em planos de aula, por quê não?

Na web há diversas ferramentas que auxiliam a produção de HQs. Esses recursos podem ser muito úteis tanto para o professor que deseja envolver seus alunos em uma experiência de aprendizagem como para os alunos na elaboração dos seus projetos dentro ou fora da escola. A seguir deixo a indicação de três boas ferramentas que já testei e por isso mesmo indico sem medo.

App PicSay 


Selfie by +Karla Vidal. Clique para ampliar.

O aplicativo PicSay é leve, rápido e simples. A versão lite é gratuita e existe uma opção pro que custa R$ 3,99. Ele permite que você adicione balões de fala, stickers e diferentes formas geométricas sobre qualquer imagem presente na biblioteca do seu celular. É muito utilizado para decorar fotografias e selfies, mas é também uma poderosa ferramenta para estimular a produção de uma HQ, desenvolvendo quadro a quadro, ou até mesmo uma fotonovela. Por ser extremamente simples é um dos apps que mais estimula a criatividade, como no exemplo acima feito a partir de um selfie rápido. Disponível para Android. Quem usa iPhone pode testar o PicsArt Photo Studio que é um editor de imagem bem mais robusto e que também faz a mesma coisa.

Toondoo


Tirinha by +Karla Vidal. Clique para ampliar.

O Toondoo já é bem mais elaborado. Disponível em versão para desktop, para utiliza-lo é necessário criar uma conta, realizar login e ir até o menu Tools na opção Toondoo Maker. Nele dá pra escolher o layout da página, os tipos de personagens, suas emoções, balões de fala e diversos outros elementos gráficos. No exemplo acima brinquei com a cultura dos seriados, mas você e seus alunos podem brincar com situações históricas, com física, linguagem ou qualquer outro tipo de assunto. Ao final é possível salvar a imagem, imprimir e compartilhar nas redes. Dica: atualize o player do Flash do seu navegador para não se irritar com travamentos. Funciona melhor no navegador Chrome.

StoryboardtThat

Tirinha by +Karla Vidal. Clique para ampliar.

O StoryboardtThat tem um visual menos atrativo e algumas restrições na posição dos personagens, mas também é um bom recurso para produção de tirinhas e páginas completas. Os personagens estão sempre virados para o leitor o que dificulta pensar a interação entre eles no quadro.

Nessa ferramenta há opções para layout da página, balões de fala, planos de fundo e outros recursos. O legal é que os personagens e planos de fundo estão separados por períodos históricos. Há, por exemplo, personagens da era medieval, da mitologia grega, da era clássica e muitos outros. A conta gratuita permite criar dois storyboards por semana, um dado importante para o planejamento semanal das atividades.

De forma gratuita é possível imprimir, fazer um slideshow online ou compartilhar nas redes. Para salvar a história produzida em um arquivo como PNG e Powerpoint será adicionada uma marca d'água bem exagerada que atrapalha a leitura dos quadrinhos. A dica que dou é escolher a opção para imprimir sua história e nas opções de impressão tentar gerar um PDF. Assim você terá sua página gratuita sem marcas d'água. Funciona melhor no navegador Chrome. Também é possível usar a função "salvar imagem como", no menu de contexto (botão direito do mouse), para salvar um arquivo de imagem sem marca d'água em seu computador.

Espero que as dicas tenham sido úteis. Até a próxima!

14 maio 2016

Design para transformar a Educação


Pesquisadores da UFPE explicam em livro como unir Design e Educação para a criação de novas experiências de aprendizagem

O diálogo constante entre docentes do Centro Acadêmico de Vitória (CAV) e do Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) gerou o livro Design de experiências de aprendizagem: criatividade e inovação para o planejamento das aulas.

Escrito pelos professores Alex Sandro Gomes (CIn) e Paulo André da Silva (CAV) o livro é o terceiro volume da Série Professor Criativo, inciativa de formação que lança publicações para oferecer a educadores conteúdo capaz de fomentar a discussão sobre inovação e criatividade nas práticas pedagógicas.

Lançado inicialmente na fanpage da série no último dia 9 de maio, o ebook Design de experiências de aprendizagem tem o objetivo de contribuir com o desenvolvimento de habilidades na concepção de experiências de aprendizagem inovadoras. No lançamento online os autores comentaram em vídeo como os conceitos do design são valiosos instrumentos para o desenvolvimento de experiências e como ampliam o leque de procedimentos pedagógicos para os professores. Você pode assistir ao vídeo de lançamento a seguir:

Link para o vídeo: https://youtu.be/lIuzkXWYPG4

Ao longo da obra os autores discutem a noção de aula e como a mesma impõe limitações à forma como os seres humanos aprendem. “É importante sistematizar em um livro toda a história que constituiu nossos sistemas educacionais e como o professor pode questionar o que está sendo feito para, a partir disso, propor outras situações de aprendizagem”, afirma Alex Sandro Gomes.

A principal abordagem do livro diz respeito ao que os autores conceituam como Design de Experiências de Aprendizagem. Ambos fazem questão de destacar que, mais do que cenários, é preciso construir verdadeiras experiências de aprendizagem, situações em que possam ser consideradas, antes de tudo, as pessoas e toda a multiplicidade de pensamentos e desejos que existem em sala de aula. “Nós queremos que a aprendizagem seja mais do que algo metódico que não diz respeito à vida das pessoas que estão aprendendo. Queremos que elas possam ter experiências positivas e significantes para suas vidas”, conclui Paulo André da Silva.

Design de Experiências de Aprendizagem foi lançado pelo selo Pipa Comunicação e integra a série de publicações Professor Criativo que já conta com os títulos Cultura Digital na Escola” e Conheça e Utilize Software Educativo, todos voltados para a formação de professores. A edição digital já está disponível para aquisição na Livraria online da Pipa Comunicação através do link: http://goo.gl/tZiz5N. Pensados para facilitar o acesso e garantir a leitura em múltiplas plataformas e dispositivos, os ebooks da Série Professor Criativo são sempre enviados ao leitor em três formatos diferentes: PDF, ePub e Mobi.

07 maio 2016

Precisamos dizer que aprender também é legal e divertido

Professores aprendizes do programa Prof-Lab no Recife. Foto: Karla Vidal

Preâmbulo


Ontem lotei a mala do carro com alguns objetos para doação. De tempos em tempos juntamos uma série de coisas da Pipa para doar a uma entidade muito conhecida aqui no Recife, os Trapeiros de Emaús. Eles recebem tudo! Pode ir lá doar e conhecer o projeto que vale a pena. Sempre juntamos muito papel, computadores e periféricos, celulares e outros eletrônicos para doar.

Muito por acaso, o dia que escolhemos para realizar a doação era o mesmo em que acontecia o bazar semanal. Os trapeiros consertam os objetos doados e colocam à venda para a comunidade por preços absurdamente baixos. Isso gera renda para a associação. Até aí estava tudo normal se não fosse o comentário de uma senhora que frequentava o bazar ao nos ver chegar. Ela comentou com a amiga que como o carro era pequeno a doação deveria ser de livros e livros ela não queria. Completou o comentário com um estrondoso "afffff". Aquilo nos deixou um pouco tristes porque só reforça um discurso ao qual estamos forçadamente acostumados: estudar é chato e não tenho interesse nisso, nem se for doação.

Que diferença estamos fazendo mesmo?


Ensino híbrido, mobile learning, cultura maker, coding, design thinking, sala de aula invertida... Eu poderia escrever uma lauda inteira só sobre as metodologias consideradas tendência para a educação do futuro. São múltiplas estratégias que já estão sendo postas em prática, de forma individual ou combinadas, por muitos professores motivados a transformar suas práticas nos quatro cantos do mundo. E, como em qualquer transição de hábitos, há resultados positivos e alguns nem tanto.

Mas esse texto não está sendo escrito para debater ou criticar as práticas uma a uma. Já existem bons profissionais encarregados dessa tarefa na rede. Só para citar alguns eu destaco os educadores do Estúdio Abble de Aprendizagem, do Instituto Educadigital e do Portal Sala. Aqueles a quem chamo de “professores desbravadores”, dispostos a explorar para aprender e aplicar aquilo que aprendem, em sua maioria, estão atentos a essas novas práticas pedagógicas.

Professores do Centro Acadêmico do Agreste em aula de campo conjunta de Zoologia e Didática com alunos do 2º período em Ciências Biológicas. Na aula que acontece na Praia dos Carneiros, em Tamandaré/PE, os alunos exploram ecossistemas (barreira de corais e manguezal), interagem com o espaço registrando fotos e vídeos (com celular) para depois produzirem videoaulas para maior interação com os conteúdos da zoologia. Os alunos criam roteiros, pegam dicas sobre programas de edição de vídeos, coletam dados e depois vão produzir seus vídeos para expor para uma outra turma de Licenciatura em Ciências Biológicas que terão aula (teórica) sobre Tecnologia e Educação. Fotografia e descrição do professor Paulo André da Silva.

Está claro que estamos trabalhando para formar professores capazes de revolucionar a educação, desconstruindo o discurso de que estudar é algo chato e muitas vezes até torturante. Ao que parece todos os envolvidos com educação concordam com isso. E sabemos que não é fácil desconstruir um imaginário que vem sendo perpetuado desde o período da palmatória. Se estamos trabalhando para transformar a maneira como os professores ensinam, estamos pensando em garantir a melhor experiência de aprendizagem para os alunos. E é a partir daí que mergulhamos nos aspectos que possam envolver crianças e jovens como a experiência com jogos e games e até mesmo as aulas de programação.

Ora, se estamos trabalhando em prol de uma experiência de aprendizagem prazerosa para os alunos, o que acontece quando quem está no lugar do aluno é o professor? Se estamos cobrando que os professores se mantenham atualizados e engajados com as tendências, estamos deixando claro que existe uma lacuna na formação do professor que precisa ser preenchida com conhecimento. Esse conhecimento já circula pela universidade e em instituições criadas justamente com a finalidade de formar professores, mas ainda é muito raro encontrar iniciativas que trabalhem a experiência de formação do professor da mesma forma como desejamos que seja a educação do futuro: inovadora e criativa.

Foi assim que acreditei que é possível transformar a educação agindo em todas as frentes possíveis, considerando alunos, professores, gestores, pais e todos aqueles que estão envolvidos com a educação, e garanto pra vocês que é muita gente! E eu não acreditava nisso sozinha. Havia mais gente desbravadora disposta a planejar experiências criativas para professores. Nasceu o Prof-Lab, um programa de experiências de aprendizagem criativa para professores.

Um dos momentos mais divertidos do Prof-Lab acontece durante a formação sobre Design Thinking quando os professores cursistas são desafiados a pensar e ilustrar juntos uma experiência de aprendizagem criativa usando apenas papel. Foto: Karla Vidal

O programa ainda é muito jovem e não temos muitas estatísticas para apresentar. Mas temos muitos sorrisos e um bocado de sementes plantadas. No entanto, o que temos já tem nos provado que é possível sim planejar uma educação diferente. E não é preciso mágica, nem super-heróis para fazer a coisa acontecer. Além de nós, já tem muita gente topando fazer e fazendo muito bem feito, até mesmo tocando iniciativas independentes como a nossa. Um bom exemplo é o Curiouser: Lab de Criatividade para Educadores projeto lindo de formação de educadores tocado pela Leila Ribeiro.

Em Brasília a formação liderada por Leila Ribeiro foi além dos muros e colocou as professoras cursistas para remar em equipes. A ação fez parte do seu projeto intitulado Curiouser: Lab de Criatividade para Educadores. Foto: Max Rocha

Precisamos apenas conhecer e dialogar com todos os envolvidos no processo de aprendizagem. É essa abertura que nos permite enxergar as lacunas e tentar preenchê-las da melhor forma possível. Afinal, não dá pra cobrar uma educação menos chata, se quando vamos formar os nossos professores escolhemos as metodologias que tanto criticamos.

Para quem desejar saber um pouco mais sobre o Prof-Lab o link é esse aqui: http://www.abble.com.br/prof-lab/

06 abril 2016

Resultado Final da chamada pública de capítulos da Série Professor Criativo



Quem acompanha a trajetória de projetos da +Pipa Comunicação sabe que em 2015 lançamos com o +Estúdio Abble de Aprendizagem  e o grupo Ciências Cognitivas e Tecnologia Educacional da Universidade Federal de Pernambuco a Chamada Pública de Capítulos para volume especial digital da Série Professor Criativo.

Em 15 de setembro de 2015 começamos a receber capítulos enviados por professores e pesquisadores de todo o país. A ideia era reunir 10 textos que apresentassem relatos de experiências, análises, pesquisas e quaisquer outros tipos de contribuição em prol da educação, relacionados diretamente a um dos temas previstos no edital. As contribuições deveriam ser submetidas de acordo com o critério específico de apresentar linguagem acessível, despertando em outros professores a vontade de aprender para replicar a experiência em suas práticas.

Por se tratar de uma primeira experiência, ficamos todos bastante surpresos quando encerramos a chamada em 30 de novembro contabilizando 36 contribuições de várias regiões do Brasil e uma de Portugal. Sim! A Série Professor Criativo cruzou o oceano e estimulou a contribuição dos pesquisadores portugueses. Que vitória!

Em dezembro de 2015 iniciamos a maratona de avaliações que contou com a participação dos professores Alex Sandro Gomes (Centro de Informática/UFPE), Taciana Pontual (Departamento de Informática/UFRPE), André Luís Alice Raabe (Departamento de Educação/Univali) e Ig Ibert Bittencourt Santana Pinto (Instituto de Computação/UFAL), que também assinarão a organização do volume. Gerenciada pelos editores executivos da Pipa, +Augusto Noronha e eu, essa etapa do processo de avaliação foi conduzida até meados de fevereiro.

Todo o processo seguiu a orientação de avaliação cega por pares. Nele os avaliadores receberam os textos, sem menção aos autores, e emitiram pareceres com informações detalhadas sobre a avaliação de cada texto. Em casos de discordância, um novo avaliador foi convidado a decidir emitindo novo parecer. Em 16 de fevereiro todos os pareceres estavam prontos e foram enviados aos autores. Assim, tanto os trabalhos aprovados como os não aprovados receberam o resultado da avaliação apontando os pontos positivos, negativos e as orientações de ajustes para o texto. Os autores que receberam orientações para ajustes tiveram até 18 de março para devolver o texto de acordo com as orientações.

Foto: +Karla Vidal 

Após 18 de março os textos foram reorganizados e os avaliadores foram novamente acionados para verificar as alterações sugeridas para reformulação dos mesmos. Depois de 15 dias em análise chegamos à etapa final que resultou na aprovação de 14 capítulos submetidos pelos 24 autores  listados com muita alegria a seguir:

APRENDIZAGEM COM DISPOSITIVOS MÓVEIS: REFLEXÕES EPISTEMOLÓGICAS E PRÁTICAS NO ENSINO DE MATEMÁTICA
Learcino dos Santos Luiz (UDESC), Ricardo Antunes de Sá (UFPR)

COMO USAR A CRIATIVIDADE PARA DESENVOLVER JOGOS PARA MELHORAR O APRENDIZADO DENTRO E FORA DA SALA DE AULA
Pedro Henrique Andrade de Santana (Unibratec), Amaro Virginio da Silva Neto (UFRPE)

CONTEXTUALIZAÇÃO E APLICAÇÕES DOS OBJETOS DE APRENDIZAGEM: UM CENÁRIO NAS CIÊNCIAS DA SAÚDE
Ângelo Jesus (P.PORTO), Maria João Gomes (Uminho)

HIPERLEITURA E LEITURAS: PENSANDO A FORMAÇÃO DE HIPERLEITORES
Ana Cláudia Munari Domingos (UNISC)

INCORPORANDO ASPECTOS DE GAMIFICAÇÃO NO ENSINO SOBRE HERANÇA EM PROGRAMAÇÃO ORIENTADA A OBJETOS: UMA EXPERIÊNCIA NO ENSINO TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO
Janderson Jason Barbosa Aguiar (UFCG)

NORMA ESCRITA CULTA, PLACAS DE RUA E POCKET VÍDEOS: UMA EXPERIÊNCIA POSSÍVEL
Ynah de Souza Nascimento (UFPE) e (FMGR)

NOVAS ATIVIDADES DE COMPUTAÇÃO DESPLUGADA PARA PROMOÇÃO DE INTEGRAÇÃO CURRICULAR NA ESCOLA
Ecivaldo Matos (UFBA), Fernando Paiva (UFBA), Emilayne Corlett (UFBA)

O ENSINO DE SOCIOLOGIA BASEADO EM LIVROS DIDÁTICOS ABERTOS
Francisco Kelsen de Oliveira (UFPE) e (IF Sertão-PE), Melka Freitas Abreu (UFC)

O GÊNERO HISTÓRIA EM QUADRINHOS: DESPERTANDO O GOSTO PELA LEITURA
Gregory Augusto de Lima Laborde (UFRPE) e (FAFICA)

O JOGO EM FOCO: UMA DISCUSSÃO SOBRE OS GAMES E A APRENDIZAGEM
Carla Alexandre Barboza de Sousa (UFPE)

O SCRATCH COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA PARA O DESENVOLVIMENTO DO PENSAMENTO COMPUTACIONAL SOB A PERSPECTIVA DA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
Fellipe Oliveira Ramos (IF Baiano) e Prefeitura Municipal de Amélia Rodrigues (BA), Lilian da Silva Teixeira(UNEB) e (IF Baiano)

O USO DE JOGOS DIGITAIS COMO OBJETOS DE APRENDIZAGEM NO ENSINO DA MATEMÁTICA: UMA PROPOSTA PARA AS ESCOLAS PÚBLICAS DO SEMIÁRIDO POTIGUAR
Katia Cilene da Silva (UFERSA), Mylani Nathalini Dantas Costa (UFERSA)

POSSIBILIDADES DE USO DE SOFTWARE EDUCACIONAL NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DO ALUNO SURDO
Rafaela Bohrz (UPF), Márcia de Borba Campos (PUCRS)

TECNOLOGIAS CONTEMPORÂNEAS COMO INSTRUMENTO AUXILIAR DA EDUCAÇÃO EM ARTES
Marina Vieira Gonçalves (IFBA), Luciene Teixeira Vieira Gonçalves (IFBA)

Isso mesmo! A decisão dos editores foi não excluir quatro contribuições que podem servir de inspiração para outros professores. Assim, damos os parabéns aos autores selecionados e informamos que estamos iniciando hoje a produção dessa iniciativa tão feliz que é volume especial da Série Professor Criativo. Muitas novidades ainda estão por vir! Sigamos para os próximos passos.