02 janeiro 2007

Placas de rua, outdoors e afins

Lia a pouco o blog do Luis Nassif:
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Tempos atrás almocei com um grande empresário da construção civil. Me dizia ele que tinha reduzido substancialmente a publicidade de lançamentos em jornais, devido ao alto custo e baixo retorno. O maior retorno, de longe, era obtido por placas de rua colocadas nas imediações do empreendimento. Depois, pela Internet. Finalmente pelos anúncios em jornais.
Não me lembro direito dos números. Mas algo como 30 visitas atraídas pelas placas contra 5 dos anúncios.
São Paulo está bem mais limpa sem os outdoors e as placas, proibidos pela Prefeitura. Mas a medida comprova uma máxima: sempre que o poder público investe contra interesses estabelecidos, por trás da decisão estão interesses maiores, contrariados, e não necessariamente os interesses difusos da população.
Será bem verdade que de nada valem os interesse da população? Se eles não se apresentam mais como difusos, certamente são interesses particulares imputados a ela, diriam muitos. A população como massa cooptada para dar visibilidade a interesses particulares. Obrigo-me a acreditar nisto. Obrigo-me pois sou DeCerteauniano. Acredito, sem obrigação desta vez, nas táticas frente às estratégias. Porém, como se trata de ação estatal - a retirada das placas - devo considerar que as estratégias é que têm lugar aqui.

Contudo, posso perceber que ao menos um interesse - quiça montado como sendo legítimo da população - alcança um objetivo que passamos a tomar como próprio nas últimas décadas: a redução da poluição, que neste caso é visual. Não poderia negar que a cidade, ainda São Paulo, vai ficar menos feia. Isso é bom e certamente apaga os outros interesses que estão por trás.

Pensando nisso, lembrei de um post antigo que li no Cadê o briefing?

"..."
A agência que pega um briefing e só é capaz de pensar em anúncio de revista, mídia exterior, filme para TV e texto para rádio está sendo extinta (graças a Deus). A campanha da AlmapBBDO para a Twix, famosa pelo grito "Caramelo", utilizou todos os recursos possíveis. "O trabalho publicitário para o chocolate Twix começou com ações virais na rede e prosseguiu com comerciais, merchandising, peças rich media, MP3, vídeos, games, SMS e blog". Segundo auditoria "foram impactados, com o esforço, 7 milhões de usuários únicos em 45 dias (cerca de 20% do total dos usuários de internet no nosso País), sendo responsável por 77% de todo o tráfego do site criado para o produto".
Certamente a retirada das placas de rua e similares vai afetar inicialmente o trabalho das agências que as utilizavam por veículo. Pior para as empresas de outdoor e afins.

Para as agências, a retirada das mídias é um chamado para a exploração de novos veículos, para a inventividade o talento e as táticas. Criemos!

Quanto tempo será que leva para essa história chegar ao Recife? Apostas abertas!


por Augusto Noronha