22 julho 2013

DIY: reaproveitando garrafas


Seja em casa ou no escritório a onda que rola por aqui é a do reaproveitamento. Quando se reaproveita uma embalagem ou qualquer outro material, além de contribuir com a preservação do meio ambiente, diminuindo a quantidade de lixo produzido, você também está salvando dinheiro, o seu e o de outras pessoas, em diferentes formas.

Por exemplo, ao reaproveitar uma garrafa de vidro você impede que ela possa vir a se tornar uma arma na rua. Você também pula a etapa do processo de reciclagem do vidro que gasta energia elétrica e lança, como muitos outros processos, gases na atmosfera. Também elimina a necessidade de comprar um novo utensílio para sua cozinha, grande parte deles derivados do petróleo. E, o melhor, constrói uma política de reaproveitamento em sua família e com os seus amigos, ampliando seu pensamento e estimulando seu olhar para novas ideias. Só vejo vantagem nisso!

Ultimamente eu tenho reaproveitado muita coisa, inclusive os famosos copos de requeijão. Eu não ligo muito para o preconceito que há em torno disso. Acho bobagem jogá-los fora, já que esses copos são extremamente funcionais e de boa qualidade. Vejo muitas pessoas comprando no mercado jogos de copos da marca Nadir Figueiredo e nem reparam que a mesma marca produz copos para outras famosas marcas de requeijão. É como torcer o nariz  para o algodão “Farmais” e pagar mais caro no algodão da marca “Prada” sem saber que ambos saem da mesma fábrica – Flexicotton – em Santa Catarina. O mesmo acontece com uma série de outros produtos. No momento eu lembro do sabão líquido Ariel e do Ace que também saem da mesma fábrica, com segmentação de publico diferente e, consequentemente, preços diferentes. Mas, o produto e a qualidade são os mesmos. Tudo é uma questão de informação.

Depois de reaproveitar vários vidrinhos, presentear a família e receber encomendas, hoje criei mais um projeto reaproveitando uma garrafa, desta vez de cachaça. A garrafa é linda, funcional e nela cabe quase um quilo de mantimento. As possibilidades são múltiplas, é só escolher o que guardar. Eu escolhi farinha de mandioca, o néctar dos deuses, como diria Didi Mocó, que não pode faltar na cozinha dos nordestinos. Já tinha reaproveitado outras garrafas, inclusive mostrei as de vinho aqui no blog. 

Como lavar e remover resíduos de cola


Uma etapa do processo que confunde muita gente é a lavagem dos vidros para eliminação de resquícios do produto original e possíveis odores. Outro ponto que merece atenção é a remoção dos rótulos originais e resquícios de cola. Vou tentar explicar com detalhes como faço.

Os processos


Após a finalização do produto original eu lavo os vidros normalmente com água e detergente para remover os resíduos. Em seguida coloco os vidros de molho em água e sabão líquido por um ou dois dias. Lembrando que é preciso trocar essa água todo dia.

Nessa etapa os odores são completamente eliminados e os rótulos em papel já dão uma amolecida considerável. Muitos deles saem facilmente quando esfregamos a parte mais áspera de uma bucha de limpeza ou uma escova de lavagem de roupa.

Há rótulos que saem facilmente simplesmente puxando. Hoje em dia muitos cosméticos e até alguns produtos alimentícios usam rótulos e adesivos plásticos que facilitam muito a vida de quem quer reaproveitar as embalagens. Bato palmas para as empresas que investem nesse tipo de rótulo. Infelizmente não são todas.

E depois de remover o papel fica a chata da cola. É onde moram os problemas. Há diferentes tipos de cola que são utilizadas para fixação de rótulos de papel, umas que saem fácil e outras que são super-hiper-mega-power chatas para remover. Testando, descobri diferentes formas de remoção dos resíduos mais resistentes. Listo todas a seguir:

Água quente: algumas colas amolecem e são rapidamente removidas quando aquecidas. Você mergulha o vidro em água quente e tenta remover cuidadosamente com a parte mais áspera de uma bucha de cozinha. É preciso mergulhar várias vezes o vidro. Cuidado para não se queimar. Use luvas adequadas para se proteger.

Acetona ou removedor de esmaltes: esse produto elimina qualquer resquício de cola. O problema é que ele também elimina tintas e vernizes. Se a superfície que você estiver utilizando possuir algum tipo de pintura ela certamente será danificada se você escolher essa opção. Há também colas extremamente resistentes que vão exigir muito produto e força para remoção. Se isso acontecer siga para a opção seguinte.

Óleo de cozinha: A cola mais resistente que encontrei no meu caminho foi a da garrafa de cachaça deste post. Só consegui removê-la usando óleo. Você deve aplicar óleo em toda a área que contém cola e esfregar com um papel absorvente. A cola vai se espalhar por todo o vidro e fazer uma sujeira geral. Não se assuste, é assim mesmo. Logo em seguida você vai usando novas folhas de papel absorvente para limpar a lambança e, magicamente, ficam no papel o óleo e a cola. Seu vidro fica perfeito!

Aguarrás, Coca-Cola e WD-40: Aguarrás remove imediatamente qualquer resíduo de cola. O problema é que o cheiro é fortíssimo e pode causar problemas respiratórios. Não indico! Tem gente que usa Coca-Cola, o que me faz pensar sobre o que acontece com seu estômago quando você bebe. Há quem diga que WD-40, óleo lubrificante de uso mecânico, também remova. Não indico porque acredito que ninguém vai querer gastar mais de R$ 20 em 300 ml do produto e ainda ficar com cheiro de lubrificante automotivo nas mãos, não é?

Espero com isso estimular os leitores a reaproveitar embalagens que, principalmente hoje em dia, são muito bem planejadas para atender as nossas necessidades e podem tranquilamente nos servir mais de uma vez, durante anos. O resultado do farinheiro feito com garrafa de cachaça vocês podem ver nas fotos a seguir:







Sobre a farinha, a melhor fonte de informações que posso indicar é a canção de Djavan. Sem falar que o clipe é lindo. Aperta o play para assistir!


Fotos: Karla Vidal