14 julho 2014

Onde ir na França: Louvre Lens

Jovem homem nu. Grécia. Estátua proveniente do Santuário de Asclépios, Deus da Medicina. Foto: +Karla Vidal 

Não sei ao certo se já comentei por aqui que minha visita ao Museu do Louvre, em Paris, foi um dos passeios dentre os que mais me frustraram na vida. A visita aconteceu no final do inverno de 2013. A companhia de +anne sophie lahalle foi bastante agradável, mas a visita em si, deixou-me realmente bem frustrada.

O Museu do Louvre de Paris é um planeta. Um dia de visita não dá nem para "tapar o buraco do dente" como se diz lá na minha terra. É tanta obra fantástica reunida em um só espaço que definitivamente não dá pra ver em um intervalo curto de tempo. Arriscaria dizer que um mês de visitas diárias não seriam suficientes para ver tudo. Sem falar que o ambiente é um dos que mais recebe visitas no mundo. Ou seja, você tem que disputar o espaço com milhares de pessoas. É muito cheio. É estranho. Gosto de ficar frente a frente com a obra, observá-la através de diferentes ângulos, ler ou ouvir a sua descrição. Demoro fazendo isso. No Louvre foi praticamente impossível...

Saí de lá com a sensação de que tanta obra reunida em um só lugar não é, em minha opinião, das decisões mais acertadas. Por que não distribuir as obras por outros lugares para evitar a sobrecarga no Museu?

Um ano depois tive a oportunidade de voltar à França. Mais uma vez na companhia agradabilíssima de +anne sophie lahalle e dessa vez com +Augusto Noronha. Na agenda de passeios estava o Louvre-Lens que é um espaço criado na cidade de Lens, que fica na região chamada de Nord-Pas-de-Calais onde também está localizada a cidade de Lille. O espaço inaugurado recentemente foi projetado com o objetivo de abrigar exposições itinerantes de peças previamente selecionadas da coleção do Museu do Louvre de Paris. É perfeito porque você tem acesso às obras de arte de diferentes períodos e coleções, expostas em um só espaço muito bem projetado e iluminado. O palácio do Louvre de Paris é lindo, uma obra à parte, mas é escuro. A melhor parte é que, até o final de 2014, a entrada para a seleção de obras do Louvre Lens é gratuita.

Parte do jardim do Louvre-Lens. Assim como as passarelas em concreto, há círculos como proposta de área de convivência ao ar livre. Foto: +Karla Vidal.

A área externa possui um bonito jardim com gramado e flores. No jardim, espalhados pelo gramado há círculos em concreto como sugestão de área de convivência, ideais para piqueniques. As obras do Louvre estão dispostas em ordem cronológica em um grande galpão moderno e com iluminação estrategicamente projetada. As atendentes são simpáticas e muito bem informadas. O espaço é amplo e claro o que permite melhor contato visual com as obras. O Louvre-Lens também oferece ao visitante um aparelho smartphone para acesso ao guia em áudio. O app para navegação é simples e intuitivo. Para ter acesso às descrições basta digitar o número da obra. Grande parte das obras expostas possui descrição em várias línguas que são comentadas por grandes especialistas em história da arte.

Detalhes da estrutura do Louvre-Lens. Fotos: +Karla Vidal.

A seguir reproduzo a descrição do site seguida de uma tradução livre:

Contrairement à d'autres musées, le Louvre-Lens ne disposera pas de collections propres. La Galerie du Temps exposera pour 5 ans au sein du musée du Louvre-Lens des chefs-d'œuvre du Louvre, selon une présentation chronologique. Sur 120 mètres de long, de la naissance de l'écriture vers 3 500 avant JC jusqu'au milieu du 19e siècle, toutes les civilisations et techniques seront représentées, embrassant ainsi l'étendue chronologique et géographique des collections du musée du Louvre. La Galerie du Temps s'organisera en 3 grandes périodes : 70 œuvres pour l'Antiquité, 45 œuvres pour le Moyen Âge et 90 œuvres pour les Temps modernes.
Ao contrário de outros museus, o Louvre-Lens não terá coleções próprias. A Galerie du Temps (Galeria do Tempo) vai expor em ordem cronológica, durante 5 anos, uma série de obras-primas selecionadas do Museu do Louvre de Paris. Em 120 metros de comprimento estarão expostas obras de períodos que vão desde o nascimento da escrita, 3500 a.C. até meados do século XIX.  Todas as civilizações e suas técnicas estão representadas abrangendo assim a ordem cronológica e geográfica das coleções do Museu do Louvre. A Galerie du Temps está organizada em três períodos principais: são 70 obras da Antiguidade, 45 obras da Idade Média e 90 peças dos tempos modernos.

La Grande Galerie do Louvre-Lens. Espaço específico para exposição das obras vindas diretamente do Museu do Louvre de Paris. Foto: +Karla Vidal.

Além das obras selecionadas do Louvre de Paris, expostas na intitulada Grande Galeria, o Louvre Lens também abriga exposições especiais. Nesse verão o visitante poderá escolher entre a exposição Les Désastres de la Guerre. 1800-2014 que custa 9 euros ou a exposição 30 ans d'acquisitions en Nord-Pas de Calais também gratuita que apresenta uma visão geral das aquisições dos museus da região durante os últimos 30 anos.

Se você também é um admirador de arte que gosta de viver a experiência de visita ao museu da forma mais intensa possível, indico fortemente a visita ao Louvre-Lens. Sob uma perspectiva matemática temos 205 obras no museu de Lens contra mais de 35 mil obras do museu de Paris. Eu realmente prefiro ver menos, mas ver direito. No entanto, se você tem tempo sobrando para utilizar em Paris, uma série de vistas ao Louvre-Paris será também uma boa ideia.

Agora vamos às obras e seus detalhes:

Tablete com escrita pré-cuneiforme. O conteúdo diz respeito a questões alimentares. Mesopotâmia, atual Iraque. Foto: +Karla Vidal.
Ídolo feminino nu com braços cruzados. Grécia. Foto: +Karla Vidal.

Detalhe de sarcófago em madeira  La dame Tanetmit. Tebas/Egito. Foto: +Karla Vidal.

Arqueiro da Guarda real. Fragmento da decoração do palácio do rei Dario I. Susa, atual Irã. Foto: +Karla Vidal.

Cena de exposição da morte em vaso funerário. Atenas/Grécia. Foto: +Karla Vidal.

Guerreiro combatendo um dragão. Objeto profano. Placa em cobre dourado. Meuse/França. Foto: +Karla Vidal.

Bella Donna: louça cerimonial.  Faiança. Deruta/Itália. Foto: +Karla Vidal.

São Sebastião de Pietro di Cristoforo Vanucci. Óleo sobre madeira. Foto: +Karla Vidal.

Detalhe da obra Mariana Waldstein, marquesa de Santa Cruz. Francisco Goya. Foto: +Karla Vidal.

São Francisco morto. Madeira pintada, osso (dentes), vidro (olhos) e cânhamo. Espanha, 1650.


Mais informações estão disponíveis em francês, inglês e holandês no site do museu: http://www.louvrelens.fr