18 setembro 2014

Nós apoiamos a educação aberta!


O conceito de Educação Aberta, como bem nos lembra a autora Andreia Inamorato dos Santos, pode ser entendido sob várias perspectivas. Eu gosto de entender como práticas livres, aquelas em que estudantes e professores alteram os formatos convencionais de ensino para garantir uma aprendizagem mais eficiente.

Faz parte dessas práticas a liberdade de decidir sobre espaços de aprendizagem, sobre o ritmo e intensidade dos estudos, os processos de avaliação e inúmeros outros fatores que se eu fosse analisar profundamente acabaria escrevendo uma tese e não uma postagem no blog.

A internet, indiscutivelmente, é o maior suporte que temos atualmente para vivenciar práticas de educação aberta. São grandes portais com ofertas de cursos gratuitos, revistas, livros, canais de vídeo, aplicativos e uma série de outras iniciativas, muitas delas abertas para que qualquer pessoa consiga decidir sobre o que, como e quando estudar.

Tais práticas são para mim uma realidade bastante animadora, tendo em vista o futuro da educação no mundo inteiro. No Brasil há uma série de ações exemplares que permitem que muitas pessoas sejam estudantes em potencial, especializadas nas mais diferentes áreas de conhecimento. Dois exemplos muito próximos: Sala.org.br e o b-blog Versão Beta Literatura.

Aqui na Pipa, temos uma parcela de contribuição para essas práticas mais livres de aprendizagem. Nossa editora disponibiliza de forma gratuita vários e-books com conteúdos diversos. Nosso objetivo é sempre garantir o maior alcance possível aos conteúdos publicados, além de estimular nossos autores a produzir conteúdo para livre distribuição. Não se trata de mudar radicalmente a forma de produção de publicações, demonizando o desejo de venda, mas de incentivar também a produção de conteúdo aberto, distribuído de forma gratuita.

Mas, essa realidade ainda é uma novidade, o que pode causar estranhamento em muitas pessoas que seguem uma linha de raciocínio presa aos moldes de uma educação tradicionalista, aqueles que não admitem sequer a incorporação das tecnologias digitais em sala de aula. Outro ponto a se considerar é a questão do lucro sobre vendas, para muitos ainda uma questão essencial.

No Brasil, a comunidade Recursos Educacionais Abertos (REA) tem desenvolvido um trabalho contínuo de esclarecimento sobre a produção desse tipo de conteúdo, principalmente aqueles produzidos com dinheiro público. Há uma linha coerente que sugere que todos os materiais financiados com verba pública sejam disponibilizados de forma aberta, o que inclui também a possibilidade de remixagem e produção de obras derivadas, atribuindo os devidos créditos aos autores.

Existem ainda muitos posicionamentos contrários, mas creio que seja tudo falta de entendimento da proposta. Há autores que não suportam ouvir a expressão "remixagem", mas eu fico me perguntando o que seria um texto acadêmico convencional senão uma grande remixagem de opiniões referenciadas e devidamente creditadas de acordo com uma normatização específica.

É mais ou menos assim que funciona um recurso educacional aberto. Menos rigidez nos direitos autorais não significa excluir o autor e sim incorporá-lo a múltiplas e novas produções. Significa trabalhar para que os direitos autorais sejam colaborativos e não impeditivos. Não se trata de uma imposição, mas sim de um estímulo para a produção de conteúdo que estimule novas possibilidades de ensino e aprendizagem. Em um primeiro entendimento pode até parecer uma proposta de extermínio das produtoras e editoras, mas o objetivo é desenvolver, a exemplo da educação, modelos abertos de negócios, como pode ser visto em um dos capítulos do livro Recursos Educacionais Abertos. Práticas colaborativas e políticas públicas. São novas oportunidades para o mercado com um cenário mais favorável para pequenas e médias empresas.

Pensando em ampliar esse debate a Comunidade REA Brasil lançou uma campanha que tem o objetivo de informar a população sobre o conceito de Educação Aberta e solicitar que a sociedade civil possa declarar seu apoio à causa. Em ano de eleições a campanha também busca dialogar com políticos através da Carta Compromisso Educação Aberta, documento que trata da atuação e do posicionamento dos candidatos sobre o assunto.

Assim como nós, você também pode fazer parte da campanha utilizando o selo de código embedável “Eu apoio a Educação Aberta”. Nós já adotamos a causa aqui no blog e você?

#educaçãoaberta